VIVE AS LETRAS!
Magazine da Faculdade de Letras
da Universidade de Coimbra
N.º19, 2.ª série, julho de 2026
EDITORIAL
Albano Figueiredo
1. A FLUC estás prestes a terminar mais um ano letivo. Este é, pois, o momento para agradecer a docentes, investigadores/as, estudantes e funcionários/as não docentes a dedicação e o empenho uma vez mais demonstrados em todo um ano escolar. Como sempre vinco, é desde logo isso que torna a nossa comunidade particularmente forte. Muito obrigado a todos/as!
2. Antes do período de férias, deixo, de modo sucinto, algumas breves mas importantes notas.
Nos últimos meses, dois professores aposentados da nossa Faculdade – o Doutor José d´ Encarnação e o Doutor Luís Reis Torgal – foram distinguidos com a atribuição do grau de “Doutor Honoris Causa” por relevantes universidades, prestigiadas e merecidas distinções e que muito nos honram também; por outro lado, nos últimos dias abriu a Sala Maria Helena da Rocha Pereira, espaço requalificado e de referência do nosso ‘Instituto de Estudos Clássicos’ e com o qual queremos assinalar o centenário do seu nascimento. O labor e o legado científicos destes três nossos mestres permanecem muito presentes e muito gratos lhe estamos por tudo o que, de diversos modos, deram e continuam a dar à FLUC.
Acresce a essas distinções o vasto conjunto de prémios de investigação que foram atribuídos a muitos/as outros/as docentes, investigadores/as e estudantes da nossa Faculdade ao longo do ano letivo que agora termina. São igualmente sinónimo da qualidade do trabalho científico aqui realizado e justamente reconhecido nacional e internacionalmente.
Prossegue, por seu turno, no presente ano civil, o rejuvenescimento e a qualificação do nosso corpo docente e de investigação, bem como do corpo técnico, que muito em breve acolherão mais pessoas. Deve ainda destacar-se que 2025/26 voltou a ser um ano letivo de consolidação (i) da oferta formativa, em particular a de 2.º e 3.º ciclos, e (ii) do número de estudantes, quer em cursos conferentes de grau, quer em cursos não conferentes de grau, sendo desígnio de todos/as incrementar o número de mestrandos e doutorandos nos próximos anos letivos.
Entretanto, a Universidade de Verão, que se realizará entre 26 e 31 do mês em curso, trará à nossa Faculdade cerca de 30 jovens pré-universitários, para os quais preparámos um programa centrado nas 13 áreas de conhecimento das licenciaturas que ministramos.
Ao NEFLUC (Núcleo de Estudantes) é devida a habitual palavra de agradecimento pelo trabalho desenvolvido.
3. Relativamente ao novo ano letivo de 2026/27, antecipo apenas, entre muitas outras que estão a ser preparadas, três iniciativas já para o mês de setembro: por um lado, a semana de acolhimento e integração dos/as novos/as estudantes de licenciatura, prevista para os dias 7 a 11, com um programa articulado entre a Reitoria e as diferentes Faculdades, que em breve será divulgado; por outro, a realização no dia 17 da habitual sessão de início de ano letivo, em que teremos um convidado muito especial; por fim, o Dia Europeu das Línguas, este ano a título excecional no dia 28 (o dia 26 será um sábado), que já se tornou uma jornada de viva celebração muito especial na FLUC e na UC.
4. E porque a FLUC é sempre movimento, convido-o/a a ler o n.º 19 desta 2.ª série do Magazine Vive as Letras!, publicação trimestral que, como sempre, pretende dar a conhecer pessoas, projetos e espaços da nossa Escola.
Desejo a todos/as umas excelentes férias!
CONVERSAS NA BIBLIOTECA
Clara Almeida Santos
Onde fica o livro na era da sobreabundância de imagem?
Esta foi a vez de Clara Almeida Santos, investigadora na área das Ciências da Comunicação e recentemente eleita Provedora do Telespectador da RTP, se sentar à conversa na Biblioteca Mário Mesquita e refletir sobre o papel do livro hoje. Longe de ser um elemento isolado ou obsoleto, o livro, que em si também carrega uma dimensão visual, surge como um contraponto necessário ao primado das imagens em movimento e do vídeo, assumindo-se como um símbolo de resistência.
Numa realidade saturada por estímulos digitais, em que impera a lógica do swipe, o livro impõe-se pela sua incapacidade de ser consumido de forma superficial, oferecendo um refúgio contra a dispersão da atenção. Foi sobre estas questões que Clara Almeida Santos se debruçou, oferecendo-nos ferramentas vitais para compreender um mundo cada vez mais hiperconectado e complexo.
Como sugestão de leitura, fugiu à ficção e trouxe leituras que a marcaram através do resgate da memória e da homenagem académica, do diagnóstico social sobre a dependência dos ecrãs e ainda da busca espiritual e filosófica. Para Clara Almeida Santos, a leitura devolve a capacidade crítica que o imediatismo das imagens tende a ofuscar, consolidando-se como uma ferramenta indispensável para interpretar e sobreviver à própria torrente mediática.
GENTE DAS LETRAS
Clotilde Cruz
O percurso de Clotilde Cruz na FLUC começou muito antes de assumir as funções que hoje desempenha. Estudante de Línguas Modernas entre 1983 e 1987, recorda uma juventude marcada pelo ativismo associativo: "fiz parte das lutas de estudantes para que as pós-graduações, tanto na área das Bibliotecas, como na área da Tradução e também a via de ensino fossem uma realidade valorizada".
Após anos como tradutora freelance e docente de português para estrangeiros, ingressou definitivamente nos quadros da instituição em 1999 como técnica superior. Desde então, tem passado por diversos serviços da Faculdade e é atualmente Secretária do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas, o maior da FLUC:
"Eu costumo dizer que sou a retaguarda, não só dos serviços, mas sou a retaguarda também da direção e da comissão científica", refere. É pelas suas mãos que passam todos os procedimentos administrativos que garantem o bom funcionamento da vida académica do Departamento.
O caminho, contudo, não é isento de obstáculos. O maior desafio atual reside na solidão do seu gabinete, face a "um grande volume de trabalho e à velocidade da exigência de resposta". Ainda assim, reconhece ter uma relação de amizade com todas as pessoas do Departamento, a quem presta auxílio sempre que necessário.
Fora da FLUC, o foco vira-se para o bem-estar e para a partilha. Entre o desejo de relaxar, a dedicação à família e aos amigos, e o gosto por acompanhar a vida e a política da cidade, procura também "manter vivas as línguas estrangeiras” que aprendeu.
No final do dia, o que verdadeiramente a move são as relações humanas que cultivou ao longo de décadas. Com a sabedoria de quem conhece cada canto da instituição, resume de forma simples aquilo que dá sentido à sua dedicação diária: "o bom do meu trabalho são as pessoas".
VIDAS DE ESTUDANTE
Acabei a Licenciatura, e agora?
Para muitos, o fim da Licenciatura não é o destino final, mas sim o início de uma nova caminhada, que impõe escolhas e decisões. É precisamente nesta fase de expectativas e alguma ansiedade que encontramos os quatro estudantes da FLUC com quem conversámos: a Beatriz, o Pedro, o Afonso e o André.
Todos partilham o mesmo objetivo: continuar o percurso académico na FLUC e ingressar no Mestrado. Entre a paixão pela investigação e a procura por uma formação profissional adequada, eles revelam-nos as suas motivações, os medos de saltar de ciclo e o porquê de escolherem a FLUC para continuar a escrever a sua história.
Beatriz Sousa, Português
O caminho da Beatriz não foi convencional, mas foi escrito com imensa curiosidade e resiliência. A aluna algarvia começou por conhecer a oferta da FLUC na Futurália, feira de cursos do Ensino Superior, e ingressou na Licenciatura de Português. Não restavam dúvidas de que as Letras eram a sua escolha, mas ainda não tinha descoberto o que a apaixonava verdadeiramente.
Foi durante o 1.º ciclo que, depois de saltar entre áreas diferentes, experimentando unidades curriculares isoladas, percebeu o seu fascínio pelos grandes clássicos. No último ano do curso realizou um menor em Estudos Clássicos e decidiu que queria ingressar no Mestrado de Ensino em Português e Latim: "No ano passado, comecei a participar nas atividades do Instituto de Estudos Clássicos, nomeadamente com crianças, que me mostraram que o ensino também era uma opção".
Três anos depois, Beatriz diz estar imensamente satisfeita com o percurso que decidiu traçar: "Estou feliz porque me trouxe aqui!". Para a estudante, a FLUC foi um espaço de tentativa-erro e muita experimentação, que lhe permitiu explorar todas as suas opções e definir o rumo da sua história.
Aos futuros colegas, deixa uma mensagem:
"Devem tentar sempre ser resilientes, não ter receio nem escutar as opiniões alheias, porque lá no fundo nós é que sabemos bem do que é que gostamos e por onde é que queremos seguir".
Pedro Ribeiro, Jornalismo e Comunicação
Ainda na escola, quando os colegas iam descobrindo a sua vocação, Pedro continuava perdido e sem respostas para o futuro. Só mais tarde percebeu que "de todas as áreas que estudava, tinha jeito para falar, comunicar e criar empatia com as pessoas". O curso de Jornalismo e Comunicação foi a sua primeira opção e a escolha de ficar em Coimbra, na cidade onde cresceu, também lhe pareceu natural.
No entanto, as dúvidas voltaram a surgir durante a Licenciatura: "tive necessidade de fazer uma pausa, por não estar satisfeito comigo mesmo. Comecei a trabalhar e a procurar outro tipo de estabilidade". Durante esse ano, trabalhou em projetos de publicidade e comunicação, e conquistou um lugar no mundo das redes sociais.
Apesar de ter interrompido o curso, Pedro não desistiu da academia e regressou à FLUC para terminar a Licenciatura, já decidido a prosseguir os estudos nas Letras: "O conhecimento não ocupa lugar e quero continuar a formar-me, mesmo já estando a trabalhar na área", contou.
Aos futuros colegas, deixa uma mensagem:
"Em Coimbra, estudamos num espaço de história e cultura, e conhecemos por dentro o que dá brilho à cidade. Podem estudar em qualquer lado, mas não vão encontrar isso em mais lado nenhum".
Afonso Cunha, História
O fim da licenciatura traz a inevitável questão: qual é o próximo passo? Para Afonso Cunha, licenciado em História na FLUC, a resposta foi construída através de uma mudança de rumo feliz. Vindo de um percurso no Secundário na área de Ciências e após uma experiência insatisfatória no curso de Biologia, Afonso encontrou na FLUC o espaço ideal para seguir a sua verdadeira paixão.
A transição foi suave, pois, de acordo com o estudante, a Faculdade e as disciplinas de iniciação muito o ajudaram nesse processo. Foi, sobretudo, o gosto pela História que o conquistou logo! Herdada dos pais, que são professores na área, a paixão pela área de estudos confirmou que esta "foi a escolha certa".
Agora, com o diploma na mão, o grande objetivo de Afonso é ingressar no Mestrado em Ensino, uma escolha fortemente influenciada pelo ambiente familiar: "tenho já o feedback dos meus pais, principalmente a minha mãe, já dá aulas há muitos anos". Apesar de reconhecer que este "é um mestrado bastante concorrido", o jovem estudante encara o desafio como um passo fundamental para o seu futuro profissional.
Para Afonso, a continuidade dos estudos após a licenciatura é incontornável: "Acho que no nosso curso o mestrado acaba por ser quase essencial", para entrar no mercado de trabalho de forma plena.
Caso o plano principal não se concretize, Afonso destaca que a FLUC oferece excelentes alternativas de segundo ciclo. A Investigação surge como a sua "segunda opção", mas o estudante faz também questão de elogiar o curso de Património Cultural e Museologia, lembrando a quem está agora a terminar a licenciatura e sente a incerteza do amanhã que:
"A FLUC conta com professores muito bons em várias frentes, da investigação e ensino, e um grande leque de oportunidades fora do ensino tradicional entre as quais podemos escolher. Portanto, devem arriscar".
André Diogo, Turismo, Território e Patrimónios
Inspirado pela mãe, o André Diogo escolheu a Universidade de Coimbra para fazer a licenciatura. Foi o curso de Turismo, Território e Patrimónios que o encantou e preencheu nos últimos três anos: "é um curso dinâmico e atrativo, e tem vários componentes, ou seja, tem a parte do turismo, mas também passa pela geografia, falamos muito da sustentabilidade , o que é bastante importante e atual".
O maior desafio, conta, foi estar longe da família, mas confessa que Coimbra se tornou uma segunda casa, da qual já não quer sair. E, por isso, decidiu continuar os estudos na Faculdade de Letras, no Mestrado em Turismo Sustentável, Património e Desenvolvimento. "É o curso de continuação da minha licenciatura e vai trazer-me bastantes vantagens antes de entrar no mercado de trabalho".
Olhando em retrospetiva, André acredita que os anos da Licenciatura foram de grandes aprendizagens. O começo é sempre difícil e assustador, mas para o aluno da Letras tudo se revela recompensador no final!
Aos futuros colegas, deixa uma mensagem:
"Devem seguir sempre a vossa intuição. Quando chegamos cá é tudo muito novo, é tudo muito assustador, mas isso vai passar, vão conhecer pessoas boas, que vão ser vossas amigas para a vida e ajudar quando mais precisam. Tudo vale por isso!"
HOJE INVESTIGO EU
André Santos
Se dúvidas houvesse, bastava o leitor passar os olhos por estas páginas para se aperceber da acuidade das imagens, mesmo numa circunstância em que a palavra escrita tem uma relevância capital. Imagine-se agora no seio de uma sociedade sem escrita e perceberá seguramente a importância deste tipo de produções nesse contexto. As imagens são expressão das ontologias das sociedades que as criam, ao mesmo tempo que contribuem para perenizar essas mesmas ontologias. São, por isso, fontes imprescindíveis para conhecermos melhor os coletivos humanos que habitaram na Europa antes da emergência da escrita.
Nos últimos anos, tenho-me focado sobre as imagens produzidas no Sudoeste europeu durante o Paleolítico Superior, período que, em Portugal, se estende entre cerca de 34 500 AC e o final da Idade do Gelo, ocorrido em cerca de 10 000 AC. As imagens produzidas pelas comunidades de caçadores recolectores que viviam no continente europeu ao longo deste período caraterizam-se por uma grande homogeneidade, pese embora algumas especificidades regionais. Este aspeto denota, per se, o caráter ideologicamente constrangido desta tradição gráfica, ao mesmo tempo que demonstra a intensidade dos contactos humanos ao longo do continente, condição essencial para a sobrevivência dos coletivos humanos num contexto de baixíssima densidade demográfica e de grande imprevisibilidade ambiental.
As expressões mais conhecidas desta tradição encontram-se nas cerca de 500 grutas e abrigos atualmente conhecidos, mas identificam-se também em milhares de objetos em pedra e osso ou nas superfícies rochosas dos cerca de 120 sítios onde esta tradição se expressa ao ar livre absoluto. Ora, uma parte importante destes últimos sítios encontra-se em Portugal, destacando-se a este nível os cerca de 80 que se concentram no Vale do Côa, os quais têm sido, há mais de 20 anos, o centro primário da minha investigação. Desde que leciono na FLUC, procuro aí realizar trabalho de campo acompanhado de estudantes que desejam aprender a registar imagens rupestres. De facto, como em qualquer ciência temos de transformar os dados brutos em documentos. No caso das imagens rupestres, isso passa pelo chamado levantamento, um processo de registo que consiste no decalque, em folhas de polivinilo transparente, dos grafismos rupestres e dos elementos mais significativos das superfícies rochosas onde se encontram. Fazemos este trabalho durante a noite, de forma a melhor controlarmos a direção da luz que deve projetar-se de forma perpendicular à orientação dos traços que estamos a registar. Paralelamente, procedemos a outras formas de registo que ajudem a documentar melhor as estações que estamos a estudar, como a fotografia, a fotogrametria, a topografia, etc.
São estes documentos que estão na base de qualquer estudo ulterior. A este nível, as minhas reflexões têm-se centrado essencialmente sobre três eixos: o faseamento cronoestilístico da produção gráfica paleolítica da bacia do Douro; o estudo das relações entre este conjunto e o de outras regiões do Sudoeste europeu com imagens paleolíticas, como sejam a região mediterrânica da Península ou o eixo franco-cantábrico; e, particularmente, a caracterização das “visões do mundo” expressas por esta tradição artística e das formas como ela terá contribuído para as perenizar. Mas, como é de História e dinâmicas sociais que falamos, importa-me também perceber como mudaram essas visões do mundo e que razões poderão encontrar-se por trás dessas mudanças. Assim, tenho-me debruçado também sobre as imagens dos últimos caçadores-recolectores que, já durante o Holocénico, viveram no Ocidente peninsular durante o chamado Mesolítico (~10 000-5500 AC), assim como sobre os primeiros agricultores e pastores desta região, atores de um dos processos que mais revolucionaram a relação dos humanos entre si e com o resto dos viventes. Entre as imagens que tenho estudado destas comunidades do Neolítico (~5500-3000 AC, em Portugal), destaco as que se identificam no interior das primeiras arquiteturas perenes europeias — os dólmenes ou antas —, encontrando-me a estudar atualmente um importante monumento transmontano. Entre os grandes basculamentos da história humana está a emergência das desigualdades institucionalizadas, ocorrida certamente ainda no contexto de sociedades sem escrita. Entre as evidências mais claras destas desigualdades estão algumas estelas e estátuas-menires do Calcolítico (grosso modo, o III milénio AC) e da Idade do Bronze (~2000-800 AC), às quais tenho também dedicado parte da minha investigação.
André Santos
Professor de Arqueologia do DHEEAA
MUNDIVISÕES
Hanspeter Kreisi
Integração, Nacionalismo e o Futuro da Democracia na Europa
Em março, Hanspeter Kriesi conduziu a palestra "The rise of populism and the new cleavage” na FLUC, no âmbito da Spring Intensive Training - EU Democracy: Politics and Policies. Depois da sessão, tivemos o privilégio de conversar com o prestigiado cientista político e especialista em política comparada europeia sobre as crises europeias, o peso do nacionalismo e a reconfiguração dos conflitos políticos no continente.
A ligação histórica de Kriesi a Portugal não começa nesta viagem a Coimbra. Na verdade, remonta ao verão de 1974, quando visitou o país para acompanhar de perto o pós-Revolução dos Cravos. Durante os últimos anos, regressou várias vezes ao país e a Coimbra, sempre com um olhar atento sobre a integração de Portugal na União Europeia e a atividade política dos portugueses.
Fazendo uma breve reflexão sobre os últimos anos, o investigador explicou que, embora a política nacional continue a ser o foco principal dos europeus, as sucessivas crises económicas e sociais na Europa, como a Grande Recessão, que afetou severamente o Sul do continente, têm, surpreendentemente, feito aumentar os sentimentos pró-europeus e o apoio à União Europeia nas sondagens de opinião pública. "À medida que a economia recuperou, os sentimentos pró-europeus regressaram em força, sendo hoje até mais expressivos no Sul do que no Norte ou no Leste do continente", explica.
Ainda assim, segundo o académico, existem dúvidas por responder e informação por clarificar.
"Ao nível nacional, todos querem mais democracia. Já ao nível europeu, a resposta varia: os eurocéticos rejeitam o aprofundamento da integração; outros cidadãos consideram que o modelo atual está correto, sentindo-se confortáveis em delegar as decisões políticas europeias em especialistas e executivos, sem necessidade de maior democratização formal".
Ao analisar o funcionamento democrático da União Europeia, o especialista destacou a complexidade das expectativas dos cidadãos, revelando que cerca de 40% dos europeus desejam simultaneamente mais integração e mais democracia, enquanto uma fatia significativa prefere delegar decisões em técnicos ou mantém-se alheia devido à falta de transparência do sistema.
Esta fragmentação ganha contornos mais nítidos face ao maior desafio atual das democracias ocidentais: o crescimento da direita radical e o reforço do nacionalismo. Segundo o académico, vive-se hoje uma tensão central entre forças nacionalistas, que procuram fechar a política interna, e setores cosmopolitas, que defendem a abertura de fronteiras e o alargamento das competências europeias.
"A direita radical mobiliza aqueles que pretendem reforçar as fronteiras e a soberania nacional, enquanto os setores cosmopolitas e de valores universalistas defendem a abertura e o aumento das competências europeias. O desfecho desta tensão ainda não está decidido, o que torna o processo de decisão na UE extremamente complexo".
Esta forte componente nacionalista tem tido um impacto direto e paralisante nas grandes decisões da União Europeia, especialmente em áreas como a defesa, segurança e gestão de refugiados, em que a exigência de unanimidade permite que governos isolados exerçam o direito de veto. O cientista político clarificou ainda que:
"O ponto central é que estes líderes não são apenas populistas; são, essencialmente, nacionalistas. O nacionalismo é a sua ideologia substancial, e ela é muito mais importante do que o seu populismo. O populismo foca-se no anti-elitismo (estar contra as elites). No caso de um líder como Viktor Orbán, estando no governo, tornou-se difícil posicionar-se contra as elites húngaras, pelo que direcionou o seu discurso contra as elites europeias de Bruxelas".
No fundo, Kriesi acredita que este embate entre o nacionalismo e o cosmopolitismo veio para ficar, consolidando-se como a principal clivagem política do século XXI na Europa, sobrepondo-se aos tradicionais conflitos de classe ou religiosos.
O futuro? Para o académico nada está decidido: o continente será moldado pela forma como as sociedades gerirem esta disputa profunda sobre a construção europeia e a aceitação de modelos multiculturais, "um processo que muitas pessoas ainda sentem grande dificuldade em interiorizar", termina.
MARCAS DAS LETRAS
João Ferreira
Natural de Coimbra, João Ferreira iniciou o seu percurso na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) no ano letivo de 2017/18. O peso e a responsabilidade de estudar num edifício com séculos de tradição marcaram os seus primeiros anos no Ensino Superior, mas foi logo na primeira aula, de Antropologia Filosófica, que se deixou apaixonar pelas Letras.
Ao ser confrontado com temas como a alteridade, a distinção entre o Homem e o animal e o significado da casa natal, João percebeu que a Filosofia estava longe de ser um "museu de ideias mortas, mas uma disciplina vibrante e rigorosa, que incide sobre problemas que remontam às origens da humanidade, sem deixar de ser atual".
Movido pelo desejo de aprofundar o conhecimento sobre o mundo metafísico, compreendeu ali que, num quotidiano dominado pela eficiência tecnológica, as Humanidades não podem deixar de ter um papel de destaque.
"Só as Humanidades é que revestem as nossas vivências de sentido e nos distinguem dos restantes seres que habitam o mundo".
O percurso do antigo estudante da FLUC ficou profundamente marcado pelo entusiasmo contagiante dos seus professores. Mais do que a transmissão de conteúdos, João testemunhou demonstrações de uma paixão genuína pela investigação e a docência. Ver a forma como os professores viviam os conceitos enquanto os explicavam fê-lo compreender que "a Filosofia não se ensina apenas com a razão, mas também com a emoção".
Foi precisamente a atmosfera dessas aulas, "onde o tempo parecia parar e o pensamento ganhava vida", que lhe permitiu descobrir o caminho que queria seguir no final da licenciatura. O Mestrado em Ensino de Filosofia, também na FLUC, foi o primeiro passo para poder, atualmente, lecionar no Ensino Secundário.
"A escolha de ser professor de Filosofia foi inspirada pelos vários Professores com quem tive o privilégio de contactar ao longo do meu percurso na FLUC. Nenhuma questão colocada pelo aluno era deixada ao acaso".
Como conselho aos novos estudantes, e em especial aos que agora escolhem o caminho da Filosofia, João Ferreira sugere que encarem a Faculdade como um espaço privilegiado de construção da individualidade e da humanidade. A sua máxima para as novas gerações é clara: "Não devem estudar apenas para saber mais, mas sim para ser mais".
PHOTOMATON
- Congresso Internacional "Vitalidade e Inquietação dos Clássicos" - Tributo a Maria Helena da Rocha Pereira
- Inauguração da Sala Maria Helena da Rocha Pereira
- Distinção com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Algarve ao Professor José D’Encarnação
- Distinção com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro ao Professor Luís Reis Torgal
- Celebração do Dia da Europa
- Semana Aberta da UC
- Dia Aberto da FLUC
- Sessão de encerramento do ano letivo 2025/2026
- VI Jornadas de Iniciação Científica
- Dias do Japão
- Abertura do Curso de Férias
- Exposição "Quimera em Mosaico - A Superação da Perda"
- Conferência "O Épico em Trânsito: Estratégias de Tradução de Os Lusíadas para Árabe"
- Apresentação do projeto “iDanha – novos links, novas leituras históricas criativas”
- Congresso GeoSaúde
- Congresso “PAIRO NA LUZ, SUSPENSO...” Centenário da morte de Camilo Pessanha (1867-1926)
- Spring Intensive Training - EU Democracy: Politics and Policies
- Apresentação da Grande Reportagem "Peregrinação interior: cântico do país emerso", de João Figueira, no âmbito das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril
- Ciclo de seminários UNIVERSidades: Redes e Identidades
- XI Jornadas de Tradução
- VI Jornadas de Ciências da Comunicação da FLUC
Congresso Internacional "Vitalidade e Inquietação dos Clássicos" - Tributo a Maria Helena da Rocha Pereira.
Congresso Internacional "Vitalidade e Inquietação dos Clássicos" - Tributo a Maria Helena da Rocha Pereira.
Congresso Internacional "Vitalidade e Inquietação dos Clássicos" - Tributo a Maria Helena da Rocha Pereira.
Congresso Internacional "Vitalidade e Inquietação dos Clássicos" - Tributo a Maria Helena da Rocha Pereira.
Congresso Internacional "Vitalidade e Inquietação dos Clássicos" - Tributo a Maria Helena da Rocha Pereira.
Congresso Internacional "Vitalidade e Inquietação dos Clássicos" - Tributo a Maria Helena da Rocha Pereira.
Inauguração da Sala Maria Helena da Rocha Pereira.
Inauguração da Sala Maria Helena da Rocha Pereira.
Inauguração da Sala Maria Helena da Rocha Pereira.
Inauguração da Sala Maria Helena da Rocha Pereira.
Distinção com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Algarve ao professor José D’Encarnação (fotografia cedida pelo próprio).
Distinção com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Algarve ao professor José D’Encarnação (fotografia cedida pelo próprio).
Distinção com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro ao professor Luís Reis Torgal.
Distinção com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro ao professor Luís Reis Torgal.
Celebração do Dia da Europa, em parceria com a Faculdade de Economia.
Celebração do Dia da Europa, em parceria com a Faculdade de Economia.
Presença do embaixador João Vale de Almeida na comemoração do Dia da Europa.
Presença do embaixador João Vale de Almeida na comemoração do Dia da Europa.
Semana Aberta da UC.
Semana Aberta da UC.
Semana Aberta da UC.
Semana Aberta da UC.
Semana Aberta da UC.
Semana Aberta da UC.
Dia Aberto da FLUC.
Dia Aberto da FLUC.
Dia Aberto da FLUC.
Dia Aberto da FLUC.
Dia Aberto da FLUC.
Dia Aberto da FLUC.
Sessão de Encerramento do Ano letivo 2025/2026.
Sessão de Encerramento do Ano letivo 2025/2026.
Sessão de Encerramento do Ano letivo 2025/2026.
Sessão de Encerramento do Ano letivo 2025/2026.
Sessão de Encerramento do Ano letivo 2025/2026. Conferência da professora Maria José Roxo, da Universidade NOVA de Lisboa.
Sessão de Encerramento do Ano letivo 2025/2026. Conferência da professora Maria José Roxo, da Universidade NOVA de Lisboa.
VI Jornadas de Iniciação Científica.
VI Jornadas de Iniciação Científica.
VI Jornadas de Iniciação Científica.
VI Jornadas de Iniciação Científica.
Dias do Japão.
Dias do Japão.
Dias do Japão.
Dias do Japão.
Sessão de abertura do Curso de Férias.
Sessão de abertura do Curso de Férias.
Sessão de abertura do Curso de Férias.
Sessão de abertura do Curso de Férias.
Sessão de abertura do Curso de Férias.
Sessão de abertura do Curso de Férias.
Exposição "Quimera em Mosaico - A Superação da Perda".
Exposição "Quimera em Mosaico - A Superação da Perda".
Apresentação da tradução d'Os Lusíadas para árabe no Centro de Estudos Árabes da FLUC.
Apresentação da tradução d'Os Lusíadas para árabe no Centro de Estudos Árabes da FLUC.
Apresentação do projeto “iDanha – novos links, novas leituras históricas criativas” (fotografias da Organização).
Apresentação do projeto “iDanha – novos links, novas leituras históricas criativas” (fotografias da Organização).
Congresso Geo Saúde 2026.
Congresso Geo Saúde 2026.
Congresso Geo Saúde 2026.
Congresso Geo Saúde 2026.
Congresso “PAIRO NA LUZ, SUSPENSO...” Centenário da morte de Camilo Pessanha (1867-1926).
Congresso “PAIRO NA LUZ, SUSPENSO...” Centenário da morte de Camilo Pessanha (1867-1926).
Congresso “PAIRO NA LUZ, SUSPENSO...” Centenário da morte de Camilo Pessanha (1867-1926).
Congresso “PAIRO NA LUZ, SUSPENSO...” Centenário da morte de Camilo Pessanha (1867-1926).
Spring Intensive Training - EU Democracy: Politics and Policies.
Spring Intensive Training - EU Democracy: Politics and Policies.
Apresentação da Grande Reportagem "Peregrinação interior: cântico do país emerso", de João Figueira.
Apresentação da Grande Reportagem "Peregrinação interior: cântico do país emerso", de João Figueira.
Apresentação da Grande Reportagem "Peregrinação interior: cântico do país emerso", de João Figueira.
Apresentação da Grande Reportagem "Peregrinação interior: cântico do país emerso", de João Figueira.
Ciclo de seminários UNIVERSidades: Redes e Identidades.
Ciclo de seminários UNIVERSidades: Redes e Identidades.
XI Jornadas de Tradução.
XI Jornadas de Tradução.
XI Jornadas de Tradução.
XI Jornadas de Tradução.
VI Jornadas de Ciências da Comunicação da FLUC.
VI Jornadas de Ciências da Comunicação da FLUC.
